Estereoscopia , a arte de simular a visão de dois olhos

Aplicação no show de Gui Boratto – Brasília

 

 

Fazem quase dois meses que fui recentemente sondado a respeito de desenvolver um show para um evento em Brasília , aproveitando a bagagem que eu já tinha de inumeros shows que fiz dos discos de Gui Boratto pelo mundo.

Quando Edo Von Duyn da Plustalent veio com o projeto eu achei que seria uma grande oportunidade de desenvolver uma nova proposta baseada em um material que eu havia previamente desenvolvido para o disco “III”.

 

Para tanto , trabalhamos em duas frentes , adaptando um material gráfico já existente e criando a partir do zero um novo material.

(parte do show pode ser vista no demo reel da produtora clicando aqui)

 

Basicamente o show que foi criado junto , Toro produções e Gui Boratto , constituia de 10 colunas de 2,5 metros de altura e um painel central que era comandado diretamente pelo equipamento do artista.

A partir desse material a proposta era criar um universo virtual para transformar o real e depois adapta-lo ao 3d esteroscópico.

Mas como funciona o 3D estereoscópico?

Basicamente existem 3 tipos de sistemas que “simulam” a visão dos nossos olhos, O cinema 3d como é conhecido cria dois tipos de imagens em uma tela e envia para cada um dos seus olhos , “imitando” o que você realmente vê. Existem 3 sistemas básicos, um é aquele mais conhecido como óculos coloridos, os outros dois mais modernos utilizam o que chamamos de técnicas passivas e ativas.

 

 

No ativo existe um óculos com lentes de cristal líquido que bloqueia a imagem de cada um dos olhos alternativamente, então você recebe para cada olho uma imagem específica. Nesse o óculos possui um mecanismo eletrônico que “conversa” com o aparelho que transmite a imagem sabendo exatamente a hora de mostrar a imagem correspondente para cada olho.

 

 

No passivo , uma tela especial recebe duas imagens , ela funciona como um polarizador enviando cada uma das imagens para cada uma das lentes de cada olho. Cada lente possui um filtro especial que inibe a visão da “outra” imagem, ambas “polarizadas” pela tela.

 

 

No caso do modelo Anaglífico (tradicional colorido) , essa separação acontece utilizando as cores. Cada grupo de imagem é baseada em uma das duas cores das lentes sendo “filtradas”. Esse método foi criado em 1970 por Stephen Gibson. É o metodo que tem vantagens e desvantagens. A maior vantagem é o custo de fabricação dos óculos que é a mais baixa de todos , a desvantagem que , por conta dos filtros coloridos , as cores originais são bem prejudicadas.

 

Então tinhamos todo o material e precisavamos criar a ilusão de tridimensionalidade, para tanto foi necessário o uso do programa de animação 3D chamado CINEMA 4D.

 

 

Basicamente ele é um programa completo de modelagem, texturização e animação , mas com a vantagem de além fazer filmes normais , capaz também de exportar filmes para todos os tipos de filmes esteroscópicos citados acima.

 

Então pegamos cada coluna real e adaptamos para um universo virtual dentro do CINEMA 4D. Desse modo tinhamos todas as  colunas e podiamos colocar a câmera na posição que quisessemos.

A parte mais legal da história era que, por ser um universo limitado apenas pela criatividade e pelo tempo que tinhamos para render o projeto, ficamos livres para criar situações que aparentemente seriam impossíveis no mundo real. Partindo desse ponto o mundo virtual abriu as portas para experimentarmos novas situações , todas baseadas no princípio das colunas.

Ao todo conseguimos adaptar 10 músicas e criar 10 universos para cada uma

Alguns exemplos:

 

Telecaster

 

Talking Truss

 

Arquipelago

 

Soledad

 

Azzurra

 

Como funciona isso?

 

Basicamente o CINEMA 4D gera duas imagens com duas câmeras virtuais , e funde as duas numa única imagem separada pelas cores.

 

O Método é muito simples basta colocar a câmera e selecionar a câmera 3D.

Depois na tela de render Settings selecionar a opção “stereoscopy” pra render o arquivo com as duas imagens.

Agora vem o “pulo do gato” , o grande segredo do 3d é testar a distância entre as duas imagens, eu poderia tentar explicar tecnicamente como isso funciona mas pra resumir de uma maneira simples , eu recomendo testar e ajustar. Basicamente o default do projeto já quebra um galho mas se você tiver um tempo aconselho ir testando com um óculos. Vale lembrar que um monitor de computador não dá o mesmo resultado que uma imagem projetada num telão. Depende muito daonde você olha e do tamanho da imagem .

No cinema 4D esse ajuste das distâncias das imagens pode ser ajustado na tela da câmera na aba “Stereoscopy” , o basicão é mexer no , óbvio , “Eye Separation” (foto abaixo) .

Enfim , depois de projetados as 10 músicas , ficamos ainda desenvolvendo loops coringas para outras partes do show, sempre seguindo a mesma direção de arte , abaixo alguns exemplos dos resultados conseguidos , se você tiver um óculos vale a pena dar uma conferida!

 

abs!

 

 

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